1ª VIJ promove ações e reflexões na defesa de vítimas de violência sexual

ARTIGO DE SUPERVISORA DA VARA LEVANTA ASPECTOS DA ALIENAÇÃO PARENTAL E DA VIOLÊNCIA SEXUAL INTRAFAMILIAR

Entre os casos atendidos diariamente pela 1ª Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal (1ª VIJ) estão os que envolvem violência sexual contra crianças e adolescentes. A Justiça Infantojuvenil atua na garantia dos direitos e da proteção dessas vítimas. Em 2011, o Centro de Referência para Violência Sexual da Vara (CEREVS) realizou 46 estudos psicossociais de casos dessa natureza. O Projeto de Acompanhamento Temporário de Famílias em Situação de Violência Sexual (PROFAM) acompanha atualmente 58 famílias e já concluiu, com êxito, o acompanhamento de 101 famílias desde que foi criado, em 2008.

O PROFAM surgiu com o objetivo de auxiliar na articulação da rede de atendimento e, assim, fazer com que as medidas judiciais de proteção sejam de fato cumpridas. O projeto propõe a construção de um trabalho articulado entre os diversos órgãos e instituições envolvidos com a questão da violência sexual infantojuvenil. Por meio da rede de atendimento e de parcerias, são desenvolvidas ações como prevenção, segurança, responsabilização, atendimento médico, social e psicológico às vítimas e seus familiares, além de acesso à cultura, esporte, lazer, educação e qualificação profissional. Com esse trabalho, a 1ª VIJ conseguiu elevar o percentual de medidas protetivas cumpridas de 25% para 85%.

Avanços e dificuldades

No Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, 18 de maio, a supervisora do CEREVS/1ª VIJ, psicóloga Viviane Amaral dos Santos, avalia que houve avanços na questão desde a década de 80 do século passado, porém ainda há muito que avançar. Segundo a supervisora, leis foram alteradas para contemplar a complexidade presente em cada caso e para preservar o interesse superior da criança e do adolescente. “A rede de proteção e garantia de direitos vem tentando se estabelecer para oferecer às vítimas e suas famílias a devida atenção na área da saúde mental e assistência social, bem como maior acesso do público a instâncias de notificação”, também destaca.

Em relação aos aspectos que continuam a dificultar o trabalho de defesa de meninos e meninas vítimas de abuso sexual, a supervisora cita fatores culturais e ideológicos. “É possível observar que o tema ainda é permeado por preconceitos, valores morais, ideologias sexistas e medo de se acreditar que a violência sexual ocorre com muito mais frequência do que se gostaria de crer”, afirma. De acordo com a supervisora, isso pode ser observado, por exemplo, na crença de alguns de que crianças mentem ou podem fantasiar os abusos, ou ainda de que as pessoas que se posicionam em proteção à criança mentem ou promovem a alienação parental. Apesar dos obstáculos, a supervisora reafirma a importância da luta. “Importante é termos sempre um pensamento crítico sobre nossa atuação e persistir nessa luta”, diz.

Alienação parental e violência sexual

Doutora com tese sobre violência sexual intrafamiliar, Viviane Amaral dos Santos faz reflexões em artigo inédito sobre a complexidade que envolve os fenômenos da alienação parental e da violência sexual intrafamiliar e levanta possíveis entrelaçamentos de ambas as situações. O texto aborda a avaliação psicológica de casos dessa natureza e o risco de se tomarem os critérios e sintomas de forma estática, sem considerar outras variáveis possíveis na construção dos sintomas, comportamentos e expressões afetivas. “Uma avaliação deve ser ética e responsável o suficiente, cuidando para evitar pensamentos estatizantes, conceitos fechados e avaliações subjetivas quanto à estrutura psíquica ou comportamentos dos indivíduos isolados de seu contexto ou relações”, afirma.

No artigo intitulado “Os possíveis entrelaçamentos nas situações de alienação parental e de violência sexual intrafamiliar contra crianças e adolescentes”, a autora considera ainda o perigo de se arriscar a segurança emocional e, muitas vezes, física de crianças e adolescentes, ao se realizar o diagnóstico somente a partir da narrativa de um dos envolvidos no caso. Nesse sentido, um dos objetivos do artigo é compartilhar a proposta de avaliação psicossocial ampliada. “Essa proposta vem sendo construída com base em nossas pesquisas científicas sobre os temas da síndrome da alienação parental e da violência sexual e em nossa experiência cotidiana de trabalho na avaliação de casos dessa natureza no contexto da Justiça”, explica.

Conforme a supervisora do CEREVS/1ª VIJ e autora do artigo, a metodologia da avaliação psicossocial ampliada busca avançar para além do indivíduo, alcançando a sua rede social primária e, nos casos possíveis, a rede social secundária. “Os fatos e as ações reveladas necessitam ser conhecidos e inseridos num contexto”, afirma. Viviane explica que a avaliação psicossocial ampliada se propõe a conhecer e compreender os aspectos sociais, culturais, históricos, subjetivos, comportamentais e emocionais antes, durante e depois dos eventos narrados, porém não como determinantes absolutos da síndrome da alienação parental ou da violência sexual, mas como um pano de fundo em que se desenrolam ações e eventos.

Dados da violência sexual envolvendo crianças e adolescentes

PERFIL DOS CASOS ESTUDADOS PELO CEREVS/1ª VIJ EM 2011

VÍTIMAS

  • 84,78% das vítimas eram do gênero feminino.
  • 54,35% das vítimas estavam cursando o ensino fundamental (1º ao 5º ano), isto é, são crianças entre 3 e 12 anos.

DINÂMICA DA VIOLÊNCIA SEXUAL

  • 86,96% da violência foram de natureza intrafamiliar, 41,30% sem vestígios físicos e 38% foram do tipo atos libidinosos.
  • As ameaças recebidas pelas vítimas foram 39,34% de caráter emocional.
  • As consequências decorrentes da violência sexual para as vítimas foram de ordem emocional em 33,06% dos casos.
  • Em 42,17% dos casos, houve violência psicológica associada à sexual.
  • A violência foi perpetrada na residência da vítima em 61,22% dos casos.
  • Quanto à duração do abuso, foi recorrente em 54,35% dos casos.

AUTOR DA VIOLÊNCIA

  • O autor da violência foi na maior parte dos casos o padrasto (23,91%), seguido do pai (21,74%).
  • O autor tinha entre 12 e 17 anos de idade (20%) e entre 25 e 29 anos de idade (15,56%).
  • Cerca de 22% dos autores da violência cursavam ensino superior.

PROCEDIMENTOS LEGAIS

  • 30,43% das denúncias deram entrada na DPCA.
  • 44,26% das medidas protetivas não judiciais aplicadas às famílias foram na área da saúde.
  • 37,84% das medidas protetivas judiciais aplicadas foram de afastamento do agressor do lar.

(SECOM/1ª VIJ).

Depoimento de Xuxa reacende discussão sobre abuso sexual

Depoimento de Xuxa reacende discussão sobre abuso sexual
Apresentadora revelou ao Fantástico que foi vítima do crime. O depoimento provocou discussão em todo o Brasil sobre como é possível identificar casos de abuso e a importância de apoiar medidas para puni-lo.

o domingo (20) à noite, em um depoimento exclusivo ao Fantástico, a apresentadora e cantora Xuxa contou que também foi vítima de abuso sexual. Esse depoimento provocou uma discussão muito útil no Brasil inteiro, sobre como é possível identificar um caso de abuso para proteger uma criança ou um adolescente e a importância de apoiar medidas que coíbam e punam esse crime.

O segredo de um trauma de infância foi revelado no quadro “O que vi da vida”, do Fantástico:

“Eu vivi isso. Na minha infância, até a minha adolescência, até os meus 13 anos de idade foi a última vez. Foram algumas pessoas que fizeram isso e em situações diferentes, em momentos diferentes da minha vida” contou Xuxa.

“É um ato de muita coragem poder dizer “eu sofri abuso, eu sou vítima de abuso””, afirma a juíza da Infância e Juventude Cristiana Cordeiro.

Para os psicólogos, o desabafo de Xuxa veio de uma necessidade que costuma acompanhar as vítimas de abuso sexual: falar sobre o problema em um determinado momento da vida. No caso de Xuxa, para ajudar na luta de outros que sofreram o mesmo mal. Uma violência que pode atingir qualquer criança ou adolescente.

“O abuso sexual é uma coisa tão violenta que pode ser comparado com toda certeza a uma tortura”, diz a psicóloga da UERJ Maria Luiza Bustamante.

Nesta segunda-feira (21), em sua página pessoal na internet, Xuxa fez um apelo para que as crianças denunciem os abusos e para que as mães ouçam os filhos e prestem atenção às mudanças no comportamento deles.

“Se a criança está sofrendo um abuso, ela acaba tendo um comportamento mais esquivo, um comportamento mais estranho e muitas vezes esse tipo de comportamento é dirigido a um tipo de pessoa em particular”, explica o doutor em psiquiatria Eduardo Ferreira Santos.

“Ao invés de eu falar para as pessoas, eu tinha vergonha, me calava, me sentia mal, me sentia suja, me sentia errada”, declarou a apresentadora.

“Nós queremos cada vez mais diminuir a omissão, o silêncio que cobre os atos de violência contra criança e adolescente. Eles têm o direito à proteção social e todos devem saber que abusos ainda existem no Brasil e são contra a lei, são crimes e que devem ser denunciados e punidos”, afirma a pediatra Evelyn Eisenstein.

Cristiana Cordeiro diz que mudanças no Código Penal brasileiro em 2009 trouxeram avanços.

Qualquer ato libidinoso passou a ser considerado estupro e a pena de seis a dez anos de prisão. E, quando a vítima tem até 14 anos, a punição aumenta de oito a 15 anos de cadeia:

“Se não for possível conseguir alguém da família, que seja alguém próximo, alguém de confiança, um vizinho, uma madrinha, um professor até, alguém que possa levar isso até as autoridades. É claro que o Ministério Público vai ter condições de agir mais rapidamente, mas pode ser uma outra autoridade qualquer que encaminhe esse caso para a delegacia de polícia ou para o Ministério Público”.

O principal canal do governo federal para recebimento de denúncias é o Disque 100. Só em 2012 foram mais de 34 mil ligações, 71% a mais do que no mesmo período de 2011.

“É uma escuta, que mesmo que seja uma linha telefônica, nós estamos à disposição para receber um telefonema, apoiar essa pessoa e buscar por todos os caminhos apoiar. A Xuxa mesmo tem participado ao longo de muitos anos dessa campanha de divulgação do Disque 100”, fala a secretária de Direitos Humanos, Maria do Rosário.

Xuxa viu seus irmãos apanhando do pai, por isso sempre se engajou em projetos que protegem as crianças e os adolescentes contra qualquer tipo de violência. A apresentadora apóia a campanha “Não bata, eduque”. Em maio de 2011, ela esteve no congresso com a rainha Sílvia, da Suécia, pediu rapidez na aprovação do projeto de lei 7672, que proíbe castigos físicos, tratamento cruel ou degradante contra crianças e adolescentes e fez um apelo: “Amar a criança, respeitar a criança”.

O projeto já foi aprovado em uma comissão especial da Câmara e está agora na Comissão de Constituição de Justiça à espera de um relator.

Xuxa há tempos também apóia a luta contra o turismo sexual, especialmente que atinja crianças e adolescentes. Ela empresta sua imagem para o Sesi, que tem um programa chamado “Vira Vida”. O objetivo é educar crianças e adolescentes explorados nas ruas e dar a eles um emprego.

A apresentadora atende hoje 450 menores na Fundação Xuxa Meneguel, no Rio de Janeiro, com atividades culturais e de reforço escolar.

Depois do depoimento exibido no domingo (20) no Fantástico, Xuxa disse que vai se empenhar, ainda mais, no congresso e em novos fóruns, na luta em defesa dessas causas.

“Como a gente trabalha com a esperança, a gente espera que tenha sido um exemplo no sentido de que é possível superar essa situação, para todas as pessoas que viveram, inclusive a Xuxa”, diz a diretora da Fundação Xuxa Meneguel, Angélica Goulart.

Fonte: Jornal Floripa

Deputados querem fala de Xuxa sobre pedofilia

Os integrantes da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga a exploração sexual de crianças e adolescentes votarão na tarde desta terça-feira um requerimento do deputado Vanderlei Macris (PSDB-SP), que pediu para ouvir a apresentadora de TV Xuxa Meneghel. Durante o programa Fantástico, da Rede Globo, no último domingo, ela afirmou ter sofrido abuso sexual na infância e na adolescência.
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Macris disse que a presença de Xuxa na CPI será importante para o andamento dos trabalhos da comissão. Ao Fantástico, a apresentadora revelou ter sido abusada sexualmente “várias vezes” e que não contou aos seus pais por medo. Ela apontou o “melhor amigo” do pai e o namorado da avó como responsáveis pelos abusos e citou ainda um professor.
 
Fonte: Terra

Brasília é a segunda cidade do país com mais denúncias de abuso sexual

Brasília foi a segunda cidade do país com maior incidência de denúncias de abuso sexual em 2012. Entre as 1.585 cidades que entraram em contato com o Disque Direitos Humanos, serviço destinado a receber as denúncias, Salvador teve 346 relatos, seguido de Brasília, com 269. São Paulo e Rio de Janeiro estão logo em seguida, com 250 e 236 denúncias respectivamente.

No primeiro quadrimestre de 2012, as denúncias de violações contra crianças e adolescentes aumentaram 144% no Distrito Federal, em comparação ao mesmo período de 2011.

Quando considerado o número de denúncias para cada 50.000 habitantes, o DF aparece em primeiro lugar, com um índice de 19,24 relatos, seguido do Rio Grande do Norte, com um índice de 18,54 e do Amazonas, com 17,01.

Segundo dados da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, de janeiro a maio de 2012 foram registradas 34.142 denúncias em todo o país, o que representa 71% a mais em relação ao mesmo período do ano passado. Entre os estados com maior incidência de denúncias, São Paulo possui com 4.644 relatos, seguido pelo Rio de Janeiro, com 4.521 e pela Bahia, com 3.634 denúncias.

Nesse período, a violência sexual esteve presente em 22% do total de ligações recebidas. De acordo com a secretaria, a violência sexual pode ser considerada como abuso sexual, exploração sexual e/ou outros tipos de violência sexual.

Em 18 de maio é o dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Durante a semana serão realizadas diversas atividades e ações de mobilização em todo o país. Desde março de 2011, o atendimento a crianças e adolescentes passou a ser feito 24 horas por dia.

Homem é preso suspeito de estuprar adolescente grávida em São Sebastião

Publicação: 17/05/2012 08:00 Atualização: 17/05/2012 11:04

Uma adolescente grávida foi estuprada, na noite dessa quarta-feira (16/5), em São Sebastião. A vítima, de 17 anos, saía de uma escola no Morro da Cruz. Ela foi abordada por um homem armado com uma faca. O criminoso levou a jovem para um matagal perto de uma estrada de terra onde cometeu o crime.

O pai da vítima, que também passava por perto, viu o suspeito sair correndo do local e em seguida encontrou a filha e a socorreu.

A Polícia Militar que havia sido acionada por vizinhos para investigar um caso de agressão a uma mulher, voltaram para a delegacia por não encontrarem ninguém no local. Ao chegarem souberam do estupro e fizeram a ligação dos dois casos. Retornaram à casa e encontraram Leandro da Silva Laurentino de 22 anos que negou o crime. Leandro foi preso e ao chegar na delegacia foi reconhecido pela vítima e pelo pai dela como autor do estupro.

O suspeito alegou que havia brigado com sua esposa e saído para cometer o crime. Segundo Leandro, ele estava bêbado e não se lembra do estupro, mas admitiu ter cometido o crime. O Delegado da 30 ª Delegacia de Polícia (São Sebastião), Érito Cunha, ressaltou que apesar do suspeito estar alcoolizado isso não ameniza a ação do crime e a pena dele.

Leandro pode pegar de 8 a 16 anos de prisão, já que a vítima é menor de idade e nesses casos existe agravante de um terço da pena. Apesar de não ter passagem pela polícia, o delegado não descarta que ele ja tenha cometido outros crimes.